Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

Em defesa do Hospital (de proximidade), mais uma tertúlia, desta vez em Peniche

 

Estiveram presentes representantes da Comissão Municipal de Saúde de Peniche, Comissão de Utentes de Torres Vedras, Comissão de Utentes das Caldas da Rainha, Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo, profissionais hospitalares e dos cuidados primários, para além de dezenas de cidadãos.

 

Este ciclo de iniciativas termina no dia 11 de Dezembro, 21 horas na Biblioteca das Caldas da Rainha.

 

 

 

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Orçamento 2013

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Domingo, 25 de Novembro de 2012

Episódios lamentáveis

Aumentam agressões de utentes a médicos e enfermeiros

Lusa25 Nov, 2012, 08:44

As agressões de utentes contra médicos e enfermeiros nas urgências hospitalares estão a aumentar, o que preocupa os sindicatos destes profissionais que atribuem esta escalada da violência à degradação das condições de vida.

O chefe do posto da PSP no Hospital Amadora-Sintra, Luís Martins, afirmou à agência Lusa que são cada vez mais frequentes as agressões a profissionais de saúde, principalmente enfermeiros e médicos.

Os médicos eram, até há pouco tempo, menos vítimas das agressões dos utentes, que os respeitavam, mas isso tem vindo a mudar e de uma forma acentuada, adiantou Luís Martins.

A dirigente sindical Pilar Vicente, médica no Hospital de São José, em Lisboa, onde também existe um posto da PSP, disse à Lusa que a postura dos utentes perante os profissionais reflete os casos que são atendidos: cada vez mais violentos.

"Verificamos isso através dos casos que entram pelas urgências: mais vítimas de agressão, de violência doméstica, facadas, tiros etc", disse.

Para esta sindicalista da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), "à medida que se acentuam os problemas sociais, as pessoas tornam-se mais agressivas, bebem mais, têm maiores problemas económicos, grandes stresses e mais rapidamente recorrem à violência".

"É um problema cívico, da própria sociedade, em que nós, os profissionais, apenas podemos tentar apelar a outro tipo de atitude", adiantou.

Para Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), a violência contra estes profissionais não é nenhuma novidade, embora reconheça o aumento da sua gravidade.

A enfermeira atribui o aumento destes casos à "diminuição das suas condições económicas".

"Já há muito que alertámos para as consequências que o agravamento da situação social iria ter na forma como os utentes e os acompanhantes tratam os enfermeiros e agora temos a confirmação com o aumento das agressões", disse.

Guadalupe Simões sublinha que os enfermeiros estão "na linha da frente dos serviços de saúde" e são, por isso, as maiores vítimas da intolerância dos utentes.

"Sentimos esse aumento da violência nos centros de saúde, nos hospitais e nos cuidados domiciliários", adiantou.

O SEP reconhece o importante papel da polícia nos hospitais, com Guadalupe Simões a lamentar que não existam em mais unidades de saúde, tendo em conta a sua função dissuasora.

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in JORNAL TORREJANO

CHMT tem centro de desenvolvimento tecnológico a trabalhar nas melhores soluções informáticas para pessoal médico

 

 A necessidade da informatização dos sistemas de informação em todo o sector da saúde foi defendida na segunda edição do fórum do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), num evento que juntou profissionais da saúde e da informática, no auditório do hospital de Torres Novas, no passado dia 15.

O centro hospitalar tem criado, desde o início do ano, um centro de desenvolvimento tecnológico, pensado ”para resolução de problemas”, sintetizou João Pedro Lourenço, responsável por aquela estrutura.

Segundo disse, há ainda um longo caminho a percorrer, sobretudo na uniformização de aplicações, de modo a que os dados possam ser partilhados por todos os hospitais, clínicas e centros de saúde. ”Os sistemas que não comunicam entre si e dificultam trabalho dos profissionais da saúde”, revelou.

As actuais dificuldades prendem-se com a existência de múltiplas bases de dados, que contam com quantidades de informação inimagináveis, defendendo João Lourenço o agrupamento das diversas bases de dados.

”O objectivo a médio/longo prazo é precisamente arquitectar um interface único para todos os utilizadores”, revelou, enumerando algumas áreas críticas em que a necessidade é maior. É o caso da requisição de transporte de doentes não urgentes, entre hospitais - devido à dispersão de serviços no CHMT.

Também a área da requisição de meios complementares de diagnóstico foi referida como prioritária, assim como a da medicação. Com efeito, adiantou, o centro hospitalar fez um grande investimento na aquisição de leitores PDA e equipamento wireless para ”agilizar” o processo da medicação em doentes, que passam a ter pulseiras com códigos de barra.

A informatização dos sistemas de informação deu um passo importante em 2004, quando foi definido um padrão de documento, em papel. Para Joaquim Telo, enfermeiro no CHMT, a classificação da linguagem foi elemento catalisador para melhorar procedimentos: ”Permitiu reduzir o tempo de consulta da documentação, facilita a leitura, por exemplo a letra do médico, reduzindo risco de engano”. Alguns programas informáticos surgiram, como o CIPE e SAPE, concebidos justamente para facilitar a comunicação entre enfermeiros, enfermeiros e outros profissionais de saúde e, por outro lado, reúne dados importantes que ajudam gestores à tomada de decisões. ”A interoperabilidade entre todos os sistemas é o que se deseja no futuro”, concluiu.


   Por:
Élio Batista

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Sábado, 24 de Novembro de 2012

Para os interessados

ESTATUTOS DE

UNIDADES LOCAIS DE SAÚDE

 


Abrir aqui

 

http://www.ulsm.min-saude.pt/content.aspx?menuid=5

 

 

Regulamento Interno ULSM EPE (26 de Agosto 2009).pdf (310 kb)

 

 

 

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A prestação de cuidados de saúde na imprensa regional

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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2012

in O PÚBLICO

Taxas moderadoras afastam 1800 pessoas por dia das urgências

Por

22/11/2012 - 00:01

O aumento das taxas moderadoras fez cair o número de pessoas que chegam às urgências hospitalares? Os números indicam que sim: há menos 1800 casos diários. O PÚBLICO passou um início de madrugada em dois dos maiores hospitais de Lisboa.

Até Julho, as urgências hospitalares em todo o país receberam menos 380 mil casos Rui Gaudêncio

 

São 00h30. Hélder Paiva, 36 anos, sai das urgências do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, ainda apoiado no pé que não está lesionado. Sai acompanhado pela mulher. Têm os olhos postos num papel e abanam as cabeças. Do atendimento não têm nada a apontar. “Demorámos menos de uma hora mas sinceramente não esperava pagar mais de 20 euros... Pensava que esse era o máximo da taxa moderadora e acho excessivo”, conta enquanto olha para a factura. Desta vez ainda optaram por vir, mas admitem que com a crise, todas as decisões têm de ser ponderadas, mesmo na saúde. Até Julho, as urgências hospitalares em todo o país receberam menos 380 mil casos do que em igual período de 2011 – o que representa uma queda de quase 10%. Os dados fazem parte da última monitorização mensal feita pela Autoridade Central do Sistema de Saúde, que integra dados até Julho. Nos primeiros sete meses do ano, os hospitais deram resposta a 3,4 milhões de episódios de urgência, o que corresponde a menos 1800 casos diários, uma evolução que se considera estar “em linha com o esperado, registando-se uma desejável moderação do acesso face a igual período de 2011”.
“Felizmente nós podemos e com o que nos dão aqui compreendo que se tenha de pagar. Sempre houve abusos e agora pagam uns pelos outros. Preocupa-me sobretudo quem está a passar dificuldades e que tem pouca saúde.”
Uma moderação que foi pensada e introduzida em Janeiro, com o aumento das taxas moderadoras para vários serviços de saúde, nomeadamente para as urgências hospitalares, que passaram a ter um preço-base de 20 euros, quando antes custavam 9,60 euros. Os doentes comparticipam ainda o pagamento dos exames e análises até uma factura máxima de 50 euros, incorrendo em multas que vão até cinco vezes o valor em falta se não o pagarem em dez dias. Contudo, há várias isenções previstas: insuficiência económica, grávidas, crianças até aos 12 anos, algumas doenças crónicas e incapacidades acima dos 60%, entre outros motivos. Ao todo, no país 5,6 milhões de pessoas estão isentas. Um dos objectivos das taxas é ajudar a retirar dos hospitais os casos que poderiam, por exemplo, ser resolvidos, nos centros de saúde. Isto porque nas urgências hospitalares é utilizada a chamada triagem de Manchester, um sistema que classifica a gravidade da situação de cada doente atribuindo-lhe uma pulseira de uma cor, para que seja dada prioridade a quem precisa e não a quem chega primeiro. À pulseira vermelha correspondem as situações emergentes, à laranja as muito urgentes, à amarela as urgentes, à verde as pouco urgentes e à azul as não urgentes, considerando-se que muitos destes últimos casos não precisariam de vir a um hospital. A cada uma delas corresponde um tempo máximo recomendado para o atendimento. Hélder Paiva recebeu uma pulseira verde, mas defende que se tivesse ido a um centro de saúde talvez não pudesse ser atendido àquela hora e tivesse de faltar ao trabalho no dia seguinte. Chegámos ao Hospital de Santa Maria pouco antes das 23h00. Nas urgências estão sobretudo pessoas na rua a olhar para os familiares e amigos que já passaram pela triagem e que aguardam numa sala de espera envidraçada com vista para o exterior e onde só pode permanecer um acompanhante. Entretêm-se com cafés e cigarros. Olham para o chão, para o céu, para sítio nenhum. Dão novidades à família por telefone, suspiram. Os pensamentos são interrompidos por ambulâncias de bombeiros e do INEM que chegam com os casos mais graves. São sobretudo idosos. Alguns estão sozinhos. Vêm também carros particulares e táxis apressados com doentes em bancos recostados. Às 23h54 chega um carro cheio com um doente a gemer de dores com uma cólica renal e a morder uma toalha. A família atabalhoa-se para o conseguir tirar do veículo, o segurança rapidamente disponibiliza uma cadeira de rodas. Em dois minutos é chamado para a triagem e passa para a sala de espera já com soro.
 
"Cuidado com a perna do senhor"
 
O segurança Alexandre Pereira, de 53 anos, vai recebendo quem chega com um sorriso e vai tentando responder às perguntas nervosas de familiares ansiosos. “Cuidado com a perna do senhor, veja lá não bata na porta”, diz a quem empurra a cadeira de rodas de um idoso. “É uma questão de humanismo. Se todos fizermos tudo um bocadinho melhor, isto corre bem para todos. Há muita gente que vem cá sem precisar, mas para outros somos a cara que vêem em dias difíceis”, justifica, confirmando que as taxas moderadoras têm provocado alguns dissabores e discussões. São 00h45 quando chega outro idoso numa ambulância, empurrado por um maqueiro bem-humorado que brinca com a velocidade a que a maca segue: “Olhe o excesso de velocidade, é que está aqui a polícia.” Uma frase que arranca alguns sorrisos a quem está na sala de espera. São 00h48 e Isabel Melo, 73 anos, ainda espera de mala ao colo novidades do marido, que está acompanhado pelo filho. Veio às 19h00 e está na sala de observações. Isabel não tem a certeza se o marido recebeu uma pulseira laranja ou amarela, mas explica que tem Alzheimer e que terá tido um AVC. Deverá precisar de internamento. Isabel está a par das taxas moderadoras e encolhe os ombros: “Felizmente nós podemos e com o que nos dão aqui compreendo que se tenha de pagar. Sempre houve abusos e agora pagam uns pelos outros. Preocupa-me sobretudo quem está a passar dificuldades e que tem pouca saúde.” Uma preocupação partilhada pelo provedor de Justiça. Alfredo José de Sousa, que já fez algumas recomendações ao Governo, nomeadamente a criação de isenções parciais. O provedor mostra-se particularmente preocupado com as pessoas com rendimentos pouco acima dos 628 euros (limite máximo para alegar insuficiência económica), propondo que os filhos também contem para a isenção nas taxas. Já o presidente da Comissão de Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência, José Artur Paiva, que recentemente propôs que o país passasse de 89 para 73 serviços de urgência, considera que a redução do número de episódios de urgência a nível nacional é “um bom indicador e positivo”. Significa que “as taxas moderadoras estão a conseguir regular a procura”. Porém, alerta que este sistema por si só não garante que os cidadãos que não precisavam deixaram de ir às urgências. “A redução é significativa nos verdes e nos azuis, mas não é aquela que seria expectável, e reduzir nem sempre é melhorar”, sublinha o também director do serviço de urgência do Hospital de São João, no Porto.
Já viu o que é uma pessoa chegar aqui e largar assim 40 euros? Às vezes já compensa ir ao médico privado, mas como é de noite é mais prático. Ao centro de saúde não vou porque sou estrangeira e lá pedem-me uns 30 euros”
Para José Artur Paiva, os casos azuis e verdes a nível nacional ainda têm um peso muito grande. Em 2011 representavam cerca de 40% e não terão baixado para menos de 30% a 35%, diz. O PÚBLICO pediu dados ao Hospital de Santa Maria sem sucesso. “Com um sistema a funcionar harmoniosamente são casos que poderiam ter sido seguidos nos cuidados de saúde primários”, reforça, dando as unidades locais de saúde como "bom exemplo" de articulação entre hospitais e centros de saúde. Por isso, entende que a reforma deverá passar por criar condições nos centros de saúde para que existam mais consultas não programadas. E que se aposte também em soluções como a Linha Saúde 24, “que ainda tem uma subutilização”. De recordar que a procura da Linha Saúde 24 (808 24 24 24) cresceu cerca de 15% no primeiro semestre do ano, com um total de 450 mil chamadas.
 
Contas com a troika
 
A questão é que o aumento das taxas moderadoras para valores que representassem cerca de 2% do total do orçamento do sector fazia parte do acordo com a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu). Curiosamente, a receita a arrecadar com as taxas foi a primeira falha que o Ministério da Saúde teve de assumir com a troika, já que o valor previsto vai derrapar em 176 milhões de euros por a utilização dos serviços estar a ser inferior ao previsto, mesmo nos centros de saúde. O sector vai conseguir apenas 164 milhões de euros com as taxas moderadoras, quando previa 240. Também para o ano a receita deverá ficar nos 190 milhões, em vez dos 290 que chegaram a ser avançados. Mesmo assim, o valor das taxas pagas pelos utentes até Julho ascendeu aos 93,6 milhões de euros e ultrapassou a totalidade do valor conseguido em 2011, que não foi além dos 90 milhões. Mas um estudo realizado por Miguel Gouveia, da Universidade Católica, e por Margarida Borges, do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina de Lisboa, apresentado na quarta-feira, também indica que é possível transferir 45% das urgências hospitalares para os centros de saúde, bem como um terço das consultas, o que permitiria uma poupança de 356 milhões de euros, mas apenas a longo prazo.
 
Não há dinheiro para táxis
 
São 01h20 quando deixamos as urgências de Santa Maria para nos encaminharmos de táxi para o Hospital de São José. Costuma transportar muita gente aqui do hospital?, perguntamos pelo caminho ao motorista António Costa, de 60 anos. “Acha que com a crise as pessoas têm dinheiro para andar de táxi? São cada vez menos as que apanhamos aqui. E olhe que são cada vez mais as que esperam pelas cinco e tal da manhã para voltarem a ter transportes públicos e irem para casa. É um roubo autorizado aquilo que nos estão a fazer”, responde indignado. Depois de percorrer as sinuosas ruas no interior de São José, o táxi deixa-nos à porta. São 1h47 quando chega mais uma ambulância com uma pessoa ainda de pijama que entra directamente para a zona dos doentes urgentes. Pouco depois das 2h00 chega Sueli Lima, 30 anos, com um grupo de amigos aperaltados. Estavam no cinema quando ficou “indisposta e com dores abdominais”. Achou melhor vir ao mesmo hospital onde já tinha estado em Julho por alergias na pele depois de uma exposição ao sol. Em ambos os casos, pulseira verde. Agora foi surpreendida com o pagamento de 40 euros – 20 por esta vez e 20 que ainda não tinha regularizado do Verão. “Já viu o que é uma pessoa chegar aqui e largar assim 40 euros? Às vezes já compensa ir ao médico privado, mas como é de noite é mais prático. Ao centro de saúde não vou porque sou estrangeira e lá pedem-me uns 30 euros”, diz. Segundo dados enviados ao PÚBLICO pelo Hospital de São José, esta unidade segue uma tendência contrária à do país. Na urgência polivalente foram atendidos 120.339 doentes entre Janeiro e Setembro, o que representa um crescimento de 0,8% face ao mesmo período de 2011, em que tinham sido atendidas 119.352 pessoas. Já em 2010, o hospital recebeu, nos primeiros nove meses, 114.524 casos. A administração não quis comentar os dados, mas desde Janeiro que o São José passou a acolher os casos que eram recebidos pelo Hospital Curry Cabral, que fechou as urgências no final de 2011. Um dado mais importante diz respeito ao tipo de doentes que acorreram às urgências quanto ao “grau de prioridade”. Os doentes a quem foi dada uma pulseira laranja (muito urgentes) representaram 6,4% do total, o que significa que subiram 1,3% face a 2011. Já os com pulseira amarela (urgentes) subiram 14%, tendo um peso relativo de 38%. Por outro lado, os doentes com pulseira verde (pouco urgentes) ainda representam 51%, mas caíram 5%, e os doentes com pulseira azul (não urgentes) tiveram um peso de apenas 1% após uma queda de 18%. O presidente da Comissão de Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência reforça que esta é a tendência nacional, mas que importa adoptar mais estratégias e olhar para outros dados. No caso do seu hospital, o São João, o médico diz que o número de episódios de urgência também caiu, “mas mais importante é que temos vindo a conseguir reduzir o tempo de permanência de um doente no serviço de urgência e a reduzir as taxas de abandono, o que é possível porque temos um modelo com profissionais fixos”. Em média, os doentes estão três horas e meia nas urgências deste hospital, e o indicador europeu recomenda que o tempo esteja abaixo das seis horas.
 
Taxas são sobrecarga
 
Do lado do Movimento de Utentes dos Serviços de Saúde (MUSS), Carlos Braga diz que têm “recebido contactos de algumas pessoas que mostram o seu desagrado e preocupação” em relação aos novos valores das taxas moderadoras. O representante do movimento garante que a subida do valor está a levar a que cada vez menos pessoas recorram aos serviços de saúde, “adiando muitas vezes a decisão e agravando o estado de saúde com que acabam por chegar ao hospital”. “As taxas moderadoras, num momento como o país está, são uma sobrecarga e as pessoas têm medo do que vão pagar. Se de certa forma havia alguns abusos, a verdade é que agora são as pessoas com limitações económicas que ficam de fora e acredito que em 2013 a situação ainda vá piorar”, acrescenta. São 2h37 quando mais alguns sacos de lixo saem das urgência e Elsa, de 74 anos, se debate com a cadeira de rodas do marido que traz na cabeça uma dezenas de pontos a remendar a queda caseira. O segurança e a assistente operacional comentam que trabalhar num hospital é “ver a realidade do país em que vivemos, lidar com as dificuldades das pessoas e ver que quem mais precisa nem é quem pede ajuda”. Elsa pagou 20 euros da vinda à urgência mais 14 de uma TAC. “Sinceramente, acho que não se justifica. Ainda vai ser mais difícil convencer o meu marido a vir quando é preciso. Sabe como são os homens, não sabe?” São quase 3h00 quando chega o anúncio de que o hospital se deve preparar para receber uma situação de trauma. Às 4h00 ainda não tinha chegado. Na saída cruzamo-nos com as luzes azuis do INEM e com um carro. Será a família ou mais uma pulseira verde?
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Quantos somos no Distrito de Santarém (CENSOS 2011)

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Domingo, 18 de Novembro de 2012

in O PÚBLICO

Encerramento de unidades avança em 2013

Reforma da rede hospitalar só prevê fechos em Lisboa e Coimbra                           

 14.11.2012 - 10:03                            Por Alexandra Campos

 

Manifestação em defesa da Maternidade Alfredo da Costa, uma das unidades a encerrar
Manifestação em defesa da Maternidade Alfredo da Costa, uma das unidades a encerrar (Miguel Manso)
                                A medida mais complexa prevista no memorando de entendimento assinado com a troika no sector da saúde — a reorganização hospitalar — tem sido sucessivamente adiada, mas, no final deste mês, o Ministério da Saúde (MS) comprometeu-se a apresentar um plano com a metodologia e calendarização da reforma.                           

                        O plano, porém, vai incidir “sobretudo na oferta de Lisboa e de Coimbra, com especial destaque para o futuro Hospital de Lisboa Oriental”, esclarece o gabinete do ministro da Saúde em resposta enviada ao PÚBLICO. E estará longe de ser aquilo que muitos esperam: uma lista de hospitais ou de serviços a encerrar.
A reorganização “deverá ser feita faseadamente e com a tranquilidade desejada, para não perturbar o normal funcionamento das unidades hospitalares nem a assistência a doentes”, sublinha, em resposta escrita, o gabinete do ministro, sem adiantar mais detalhes. Esta semana, o jornal i avançava que uma das propostas a apresentar à troika passa pela fusão das duas maternidades de Coimbra, Bissaya Barreto e Daniel de Matos, uma decisão já esperada.
Será, pois, um plano parcial desta reforma anunciada que já deu origem a vários estudos e a muita controvérsia. A reorganização e racionalização da rede hospitalar deverá, pelas contas da troika, permitir cortar pelos menos 5% dos custos operacionais dos hospitais.
A este propósito, uma fonte do gabinete do MS faz questão de notar que várias medidas já têm avançado ao longo deste ano e que a reorganização hospitalar não passa apenas por encerramentos e concentrações. Em Lisboa, a urgência do Hospital Curry Cabral fechou e já está decidido o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa (não no final deste ano, como se previa, mas no início de 2013), exemplifica.
Estas medidas eram propostas no primeiro estudo realizado sobre a matéria, o relatório do grupo técnico para a reforma hospitalar, coordenado por José Mendes Ribeiro, que recomendava também que se retomasse o projecto de construção do Hospital Oriental de Lisboa em regime de parceria público-privada (PPP) — que substituirá o São José, Capuchos, Santa Marta, Curry Cabral, Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa. Ao contrário das outras PPP, esta vai avançar e já está prevista no Orçamento do Estado para 2013.
Anteontem, o ministro disse que as condições desta PPP vão ser revistas. Mas a construção deste hospital, que permitirá solucionar uma grande parte dos problemas da rede hospitalar de Lisboa, só deverá estar concluída em 2016.
Estudos na gaveta
Pelo meio e, para já, sem consequências ficou a apresentação de dois estudos sectoriais, um sobre a rede de serviços de urgência e outro, elaborado pela Entidade Reguladora da Saúde, que incidiu sobre seis das 42 especialidades hospitalares. Os dois estudos desencadearam polémica — o primeiro propunha o fecho de 12 urgências e a desclassificação de uma série de outras; o segundo sugeria o encerramento de serviços em 26 hospitais. Ambos foram desvalorizados pelo ministro da Saúde que, em 25 de Maio, aprovou um despacho em que mandava avançar com algumas das medidas propostas pelo grupo liderado por José Mendes Ribeiro.
Nessa altura, o ministério esclareceu que algumas mudanças “podem ocorrer de forma gradual, por iniciativa dos centros hospitalares — como já aconteceu em Coimbra, ou no Médio Tejo — ou das Administrações Regionais de Saúde”. Muito cauteloso, o ministro já disse que este tipo de reorganização “é algo que demora duas legislaturas [oito anos] a fazer”.
O processo tem sido coordenado a nível interno pelo vice-presidente da Administração Central do Sistema de Saúde, Rui Ivo, que lidera uma equipa de projecto nomeada logo em Fevereiro e que em Março entregou à tutela um documento com a priorização das medidas. Em Maio foi aprovado na generalidade o plano de implementação das medidas, algumas das quais já arrancaram e não têm nada a ver com fechos de unidades, mas sim com questões laterais — o lançamento da plataforma de dados de saúde, a prescrição electrónica, as facturas informativas que começaram a ser dadas aos doentes nalguns hospitais, a monitorização dos medicamentos e a optimização de pedidos de meios complementares de diagnóstico e terapêutica, explica a fonte do gabinete do ministro.A mesma fonte defende que já não há margem de manobra para fazer muito mais, sobretudo numa altura de crise em que medidas deste tipo seriam mal recebidas. Fechar serviços não é tarefa fácil, como se viu em 2008, quando o ex-ministro socialista Correia de Campos abandonou o ministério depois de ter encerrado várias urgências e blocos de partos.

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Com alguma desconfiança sobre o método de recolha de dados

CONSULTAR DOCUMENTO OFICIAL em

 

http://www.ers.pt/pages/198

 

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Maior parte dos hospitais avaliados pela ERS tem excelência clínica                           

15.11.2012 - 17:16      Por Alexandra Campos (Público)

 

A qualidade das unidades do SNS com internamentos é avaliada desde 2010
A qualidade das unidades do SNS com internamentos é avaliada desde 2010 (Enric Vivies-Rubio)
                                A maior parte (84%) das unidades de saúde que a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) conseguiu avaliar até à data cumpre todos parâmetros de qualidade exigidos em matéria de excelência clínica.                           

                        Apenas quatro dos estabelecimentos de saúde públicos, privados e do sector social analisados em termos da excelência clínica — hospitais de Cascais, Lamego, Peso da Régua e Litoral Alentejano — não cumpriam todos os parâmetros necessários, mas foram dez as instituições que recusaram ser avaliadas, indica o segundo o relatório do Sistema Nacional de Avaliação em Saúde (SINAS), divulgado esta quinta-feira.
Entre os que declinaram a avaliação estão a Maternidade Alfredo da Costa (Lisboa), o Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, os hospitais de Barcelos e de Évora e os hospitais das Misericórdias da Mealhada e de Lousada.
É, mesmo assim, uma melhoria face à primeira radiografia feita pela ERS a 161 unidades de saúde com internamento em Portugal Continental. Nesta primeira avaliação, eram 67 os estabelecimentos que cumpriam todos os parâmetros em matéria de excelência clínica, com cinco a não terem direito a estrela. Nessa altura, 12 unidades declinaram ser avaliadas.
Os resultados referem-se aos episódios com alta entre Janeiro e Dezembro de 2011 e “reflectem o resultado do cálculo de indicadores seleccionados no âmbito de procedimentos e patologias específicas", como acidente vascular cerebral (AVC), cirurgia de ambulatório, enfarte agudo do miocárdio, ginecologia, obstetrícia, ortopedia e pediatria.
Na primeira avaliação, apesar de a maior parte dos hospitais avaliados cumprirem os parâmetros de excelência clínica, nenhum teve nota máxima nas áreas de neurologia e cardiologia.
Desde 2010 que é avaliada a qualidade global dos estabelecimentos de saúde com internamentos. O critério de excelência clínica é o único que é analisado duas vezes por ano.

publicado por usmt às 15:23
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