Sábado, 20 de Outubro de 2012

CHMT citado a propósito do acordo entre o Ministério da Saúde e os médicos

Acordo com ministro divide médicos
19 de Outubro, 2012por Catarina Guerreiro (Sol)
O aumento do salário em troca de um corte nas horas-extra não agrada aos especialistas que trabalham nos hospitais e têm de fazer mais trabalho extraordinário.

O acordo assinado entre o ministro da Saúde e os sindicatos médicos – que define um aumento no salário-base e um corte de 50% no valor das horas-extra – está a dividir a classe.

É que os médicos dos hospitais – nomeadamente os de certas especialidades, como Ortopedia e Medicina Interna – fazem muito mais urgências e horas-extra do que os outros e por isso terão um corte bastante maior. «Há muitos casos em que não compensa o aumento do salário-base. Há médicos que actualmente ganham dois mil euros e oito mil em horas-extra», explica ao SOL um médico, lembrando que a maioria da delegação sindical que negociou o acordo com Paulo Macedo é composta por clínicos gerais que não fazem urgências.

«Os médicos de família é que de facto ganham com este acordo porque não fazem urgências nem muitas horas-extra e vêem os ordenados aumentados», argumenta outra fonte médica.

No acordo, assinado no passado domingo, Paulo Macedo aceitou aumentar o ordenado-base dos médicos em troca de mais horas de trabalho e também da diminuição do valor das horas-extra e da sua quantidade.

Em causa estava, principalmente, a criação de um novo regime de trabalho: ou seja, os médicos passam a trabalhar 40 horas semanais e não 35 como actualmente. Mas o valor de cada uma das cinco horas é muito superior ao praticado até agora. Por exemplo: os médicos que ganhavam 1.800 euros deviam passar a ganhar 2.100, mas o ministro aceitou pagar-lhes 2.700. Para conseguir este aumento, o governante exigiu um corte no pagamento das horas-extra. «Essa poupança serviu para aumentar o salário-base», explicou ao SOL fonte do Ministério, recordando que outra exigência aceite pelos sindicatos foi a de os profissionais trabalharem mais horas na urgência, passando das actuais 12 para 18 (ver infografia).

‘Corte brutal nalguns ordenados’

De acordo com dados dos sindicatos, o Ministério da Saúde gastou, em 2011, 700 milhões de euros em ordenados médicos, 230 milhões em horas-extra e 90 milhões em pagamentos a empresas de tarefeiros.

Para aumentar os médicos e não afectar o que estava definido no Orçamento do Estado, o ministro da Saúde desviou parte da verba atribuída às horas-extra e tarefeiros para o aumento do valor da hora em período normal de trabalho (salário-base).

«Para alguns médicos faz sentido, para outros vai ser um corte brutal no ordenado», diz outro especialista, lembrando que entre os mais afectados estarão os da periferia que, devido à situação geográfica e ausência de recursos humanos, têm de fazer muito trabalho extraordinário.

De facto, «as horas-extra vão ter um corte brutal», confirma Paulo Jorge Roque da Cunha, presidente do Sindicato Independente e dos Médicos (SIM), considerando, no entanto, que não faz sentido que um sistema de saúde funcione à custa desse tipo de trabalho. «Tem de se acabar com estes milhões em horas-extra, até porque os médicos ficam sem vida pessoal e cansados para trabalhar».

Segundo as contas do Ministério da Saúde, serão poupados mais de 1,5 milhões de horas num universo de pelo menos seis milhões que se fazem anualmente. E, além do valor, o facto de se aumentar o horário leva a que sejam precisas menos horas destas. «Para o ministro é um bom acordo», nota fonte ligada ao processo, sublinhando que Macedo «conseguiu ter o apoio dos sindicatos para cortar na horas-extra». Até porque este corte é para todos os médicos e não apenas para os que aceitarem passar para o novo regime de trabalho de 40 horas.

Jovens serão os maiores beneficiários

No entanto, administradores dos hospitais contactos pelo SOL lembram que só haverá ganhos significativos para o Governo se este avançar com a reforma da rede hospitalar. «Se se fundirem urgências e serviços, é claro que a médio prazo vai haver muitos ganhos, pois haverá diminuição do volume de horas-extra». Mas se nada for feito e tudo ficar na mesma, notam, «a situação irá piorar e vai continuar a ser preciso fazer muitas horas». Aí, avisa, «os ganhos e poupanças serão menores».

Durante os próximos dois anos, o acordo será aplicado de forma gradual. Ao todo, segundo dados dos sindicatos, haverá dois mil médicos que ainda trabalham no regime de 35 horas semanais. Muitos outros já tinham contratos individuais de trabalho com 40 horas.

Ao mesmo tempo, estima-se que cerca de 700 profissionais no activo têm ordenados inferiores aos que agora foram acordados.

«É um acordo para o futuro», diz Roque da Cunha, sublinhando que os jovens médicos estão entre os grandes beneficiários deste processo, pois apenas eles, quando entrarem nas unidades de saúde, passam automaticamente para as novas regras.

Para todos os outros, e durante dois anos, é opcional. A passagem para o regime das 40 horas só será feita se o clínico e o hospital aceitarem. Aliás, será criada uma comissão de acompanhamento do acordo, que, entre outros aspectos, irá avaliar as situações em que é mais vantajoso o médico transitar para o novo regime.

Ficou ainda estabelecido que os médicos com mais de 50 anos e mais de 55 que queiram passar para o novo regime têm, durante dois anos, de abdicar do direito de não fazerem urgências nocturnas (maia de 50 anos) ou de não fazerem urgências de dia e noite (mais de 55).

Vitória nas carreiras médicas

Os sindicatos sabem que o acordo não é perfeito, mas a crise económica e política deu um empurrão. «É claro que a situação do país pesou», diz um dirigente sindical, lembrando que há 14 anos que pediam para as carreiras médias serem definidas. Ou seja, com este acordo a contratação e a progressão na carreira faz-se através de concursos públicos. «Foi uma das grandes vitórias, além do aumento do ordenado», diz.

«Como não havia carreiras, as contratações eram feitas por amiguismo e pressão política», acusa um outro sindicalista, lembrando que o protocolo vai ainda colocar fim à ausência de regras nos hospitais. «Cada um contratava como queria», acusa, explicando que esta situação levava a que alguns jovens médicos ganhassem mais do que especialistas com vários anos de carreira. No Centro Hospitalar do Médio Tejo, por exemplo, havia jovens a ganhar 4.800 euros e chefes de serviço a ganhar pouco mais de 3. 000 euros, confirma Roque da Cunha.

Por não ter sido o acordo que sonhavam, os sindicatos acordaram com o ministro da Saúde em analisar as medidas daqui a dois anos. «Aí teremos de falar de novo, pois os médicos ainda ganham muito menos do que os juízes e os professores universitários, por exemplo», diz o presidente do SIM.

catarina.guerreiro@sol.pt

publicado por usmt às 19:34
link do post | favorito

.USMT:Quer nos Conhecer?

  • O que somos
  • Oque fazemos
  • O que defendemos
  • .Vamos criar a Associação de Defesa dos Utentes da Saúde

  • Saber Mais
  • .Leia, Subscreva e Divulgue a Petição ao Senhor Ministro da Saúde Sobre as Novas Taxas Moderadoras Para Internamentos e Cirurgias

  • Petição Movimento de Utentes da Saúde
  • .USMT Mail:

    usaudemt@hotmail.com

    .Abaixo-Assinado

  • Queremos Médicos na Meia Via, Ribeira e Pedrógão
  • .pesquisar

     

    .Jornais Regionais On-Line

  • O Templário
  • Cidade de Tomar
  • O Mirante
  • O Ribatejo
  • Torrejano
  • Almonda
  • O Riachense
  • Entroncamento On-Line
  • Notícias de Fátima
  • .Organizações & Comições

  • MUSS
  • Movimento Utentes Saúde
  • OMS
  • .Posts Recentes

    . Pela reabertura das Exten...

    . 31 maio - DIA MUNDIAL SEM...

    . 26 maio - DIA MUNDIAL ESC...

    . 18 maio - DIA MUNDIAL VAC...

    . Sobre os recursos humanos...

    . T NOVAS, 15 maio - Recolh...

    . A intervenção das populaç...

    . 22 maio - DIA MUNDIAL CON...

    . 19 maio - REUNIÃO DA COMI...

    . 17 maio - DIA MUNDIAL HIP...

    .Arquivos

    . Maio 2021

    . Abril 2021

    . Março 2021

    . Fevereiro 2021

    . Janeiro 2021

    . Dezembro 2020

    . Novembro 2020

    . Outubro 2020

    . Setembro 2020

    . Agosto 2020

    . Julho 2020

    . Junho 2020

    . Maio 2020

    . Abril 2020

    . Março 2020

    . Fevereiro 2020

    . Janeiro 2020

    . Dezembro 2019

    . Novembro 2019

    . Outubro 2019

    . Setembro 2019

    . Agosto 2019

    . Julho 2019

    . Junho 2019

    . Maio 2019

    . Abril 2019

    . Março 2019

    . Fevereiro 2019

    . Janeiro 2019

    . Dezembro 2018

    . Novembro 2018

    . Outubro 2018

    . Setembro 2018

    . Agosto 2018

    . Julho 2018

    . Junho 2018

    . Maio 2018

    . Abril 2018

    . Março 2018

    . Fevereiro 2018

    . Janeiro 2018

    . Dezembro 2017

    . Novembro 2017

    . Outubro 2017

    . Setembro 2017

    . Agosto 2017

    . Julho 2017

    . Junho 2017

    . Maio 2017

    . Abril 2017

    . Março 2017

    . Fevereiro 2017

    . Janeiro 2017

    . Dezembro 2016

    . Novembro 2016

    . Outubro 2016

    . Setembro 2016

    . Agosto 2016

    . Julho 2016

    . Junho 2016

    . Maio 2016

    . Abril 2016

    . Março 2016

    . Fevereiro 2016

    . Janeiro 2016

    . Dezembro 2015

    . Novembro 2015

    . Outubro 2015

    . Setembro 2015

    . Agosto 2015

    . Julho 2015

    . Junho 2015

    . Maio 2015

    . Abril 2015

    . Março 2015

    . Fevereiro 2015

    . Janeiro 2015

    . Dezembro 2014

    . Novembro 2014

    . Outubro 2014

    . Setembro 2014

    . Agosto 2014

    . Julho 2014

    . Junho 2014

    . Maio 2014

    . Abril 2014

    . Março 2014

    . Fevereiro 2014

    . Janeiro 2014

    . Dezembro 2013

    . Novembro 2013

    . Outubro 2013

    . Setembro 2013

    . Agosto 2013

    . Julho 2013

    . Junho 2013

    . Maio 2013

    . Abril 2013

    . Março 2013

    . Fevereiro 2013

    . Janeiro 2013

    . Dezembro 2012

    . Novembro 2012

    . Outubro 2012

    . Setembro 2012

    . Agosto 2012

    . Julho 2012

    . Junho 2012

    . Maio 2012

    . Abril 2012

    . Março 2012

    . Fevereiro 2012

    . Janeiro 2012

    . Dezembro 2011

    . Novembro 2011

    . Outubro 2011

    . Setembro 2011

    . Agosto 2011

    . Julho 2011

    . Junho 2011

    . Maio 2011

    . Abril 2011

    . Março 2011

    . Fevereiro 2011

    . Janeiro 2011

    . Dezembro 2010

    . Novembro 2010

    . Outubro 2010

    . Setembro 2010

    . Agosto 2010

    . Julho 2010

    . Junho 2010

    . Maio 2010

    . Abril 2010

    . Março 2010

    . Fevereiro 2010

    . Janeiro 2010

    . Dezembro 2009

    . Novembro 2009

    . Outubro 2009

    . Setembro 2009

    . Agosto 2009

    . Julho 2009

    . Junho 2009

    . Abril 2009

    . Fevereiro 2009

    . Janeiro 2009

    . Dezembro 2008

    . Novembro 2008

    . Outubro 2008

    . Setembro 2008

    . Agosto 2008

    . Julho 2008

    . Junho 2008

    . Maio 2008

    . Abril 2008

    . Março 2008

    . Fevereiro 2008

    . Janeiro 2008

    . Dezembro 2007

    . Outubro 2007

    . Setembro 2007

    . Agosto 2007

    . Julho 2007

    . Maio 2007

    . Abril 2007

    . Março 2007

    . Fevereiro 2007

    . Janeiro 2007

    . Dezembro 2006

    . Novembro 2006

    . Outubro 2006

    blogs SAPO

    .subscrever feeds